Avé Maria — oração, texto completo e significado
Se chegaste aqui à procura das palavras exatas da Avé Maria, estão já abaixo, tal como se rezam nas paróquias de Portugal e na Capelinha das Aparições, em Fátima. Depois, se quiseres, fica mais um pouco: esta oração de duas frases carrega dois mil anos.
Avé Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco;
bendita sois Vós entre as mulheres
e bendito é o fruto do Vosso ventre, Jesus.Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Ámen.
As duas metades da oração
A Avé Maria é feita de duas metades muito diferentes — e vale a pena saber onde acaba uma e começa a outra.
A primeira metade não foi escrita por nenhum teólogo: é Evangelho, palavra por palavra. «Avé, cheia de graça, o Senhor é convosco» é a saudação do anjo Gabriel a Maria, em Nazaré (Lucas 1, 28). «Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre» é a exclamação de Isabel quando Maria a visita e o filho lhe estremece no ventre (Lucas 1, 42). Ao rezares a primeira parte, estás a repetir as duas primeiras vozes que saudaram Jesus antes de Ele nascer. A Igreja acrescentou apenas um nome no fim — Jesus — para que a oração tivesse um centro.
A segunda metade é a resposta da Igreja: uma súplica. «Santa Maria, Mãe de Deus» retoma o título que o Concílio de Éfeso confirmou no ano 431 — Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, porque o Filho que gerou é Deus. E depois vem o pedido mais honesto de todas as orações cristãs: «rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte». Esta parte foi crescendo na devoção do povo ao longo da Idade Média e ficou fixada na forma atual no século XVI, com o Breviário Romano de São Pio V.
Metade Escritura, metade súplica. Metade o céu a falar, metade nós a responder.
O que estás a dizer, palavra por palavra
«Avé» é uma saudação — no grego original de São Lucas, «alegra-te». A oração não começa a pedir; começa a cumprimentar, como quem entra em casa de alguém que ama.
«Cheia de graça» traduz uma palavra única, kecharitoméne: aquela que foi totalmente transformada pelo amor de Deus. Não é um elogio; é o nome novo que o anjo lhe dá.
«O Senhor é convosco» é a frase que Deus dizia aos que enviava para missões grandes de mais para eles — Moisés, Gedeão, Jeremias. Aqui é dita a Maria; e, quando a rezas, ecoa de passagem sobre ti.
«Bendita sois Vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do Vosso ventre, Jesus» — Isabel bendiz a mãe e o Filho de uma só vez. O nome de Jesus fica exatamente a meio da oração: tudo o que vem antes caminha para Ele, tudo o que vem depois parte d'Ele.
«Rogai por nós, pecadores» — não pedimos a Maria que resolva; pedimos que peça por nós e connosco. Como quem diz à mãe: fala tu por mim, que eu hoje não tenho palavras.
«Agora e na hora da nossa morte» — os dois únicos momentos que realmente temos: este instante e o último. Tudo o resto é memória ou imaginação. A Avé Maria entrega os dois às mãos de uma mãe.
O lugar da Avé Maria no terço
A Avé Maria é o coração do terço. Em cada mistério reza-se um Pai Nosso, dez Avé Marias e um Glória — cinquenta Avé Marias num terço inteiro, além das três que em Portugal se costumam rezar no início. Se nunca o rezaste, ou já não te lembras da ordem, temos um guia sereno sobre como rezar o terço, passo a passo.
A repetição assusta quem vê de fora, mas não é o objetivo — é o método. As Avé Marias, ditas em cadência, ocupam a parte da cabeça que insiste em fazer listas e preocupações, e libertam o coração para contemplar os mistérios do terço: a vida de Jesus vista com os olhos de Maria. São João Paulo II, retomando as palavras de Paulo VI, descreveu as Avé Marias como a urdidura sobre a qual se desenrola essa contemplação. Não estás a contar orações; estás a respirar ao ritmo delas.
Fátima: a oração que Portugal reza
Em cada uma das seis aparições de 1917 — cinco na Cova da Iria e uma nos Valinhos —, Nossa Senhora pediu o mesmo aos três pastorinhos: «Rezem o terço todos os dias». Apresentou-se como Senhora do Rosário — e por isso a Avé Maria é, de certa forma, o som de Fátima: é ela que se ouve, milhares de vozes ao mesmo tempo, na procissão das velas e no recinto do Santuário.
Foi também em Fátima que nasceu a oração que muitos acrescentam no fim de cada dezena, ensinada por Nossa Senhora em julho de 1917: «Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai as alminhas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.» Se cresceste em Portugal, é provável que a tua avó a rezasse sem nunca lhe chamar nome nenhum.
Como rezá-la quando não consegues rezar
A Avé Maria cabe numa respiração — e talvez seja essa a sua misericórdia. Há noites em que não há forças para um terço, nem para uma conversa com Deus, nem sequer para pensar. Para essas noites chega uma Avé Maria, dita devagar, palavra a palavra, mesmo sem sentir nada. Não é preciso sentir; é preciso dizer. O sentir vem quando quiser.
Muitos portugueses rezam três Avé Marias ao deitar e ao levantar — uma devoção antiga, simples, que não pede mais de um minuto. Se estás ansioso, experimenta rezá-la ao ritmo da respiração: a primeira metade a inspirar a saudação, a segunda a expirar o pedido. E se procuravas esta página só para confirmar as palavras exatas — porque as queres dizer bem, como sempre se disseram — elas estão acima, inteiras. Não mudaram.
Perguntas frequentes
Escreve-se «Avé Maria» ou «Ave Maria»?
As duas grafias existem. «Ave» é a saudação latina do anjo Gabriel; em Portugal generalizou-se a forma acentuada «Avé», que corresponde à maneira como a palavra se pronuncia ao rezar. Os livros litúrgicos usam sobretudo «Ave-Maria», mas nas paróquias portuguesas diz-se e escreve-se habitualmente «Avé Maria». A oração é exatamente a mesma.
Quantas Avé Marias se rezam num terço?
Cinquenta: dez em cada um dos cinco mistérios. Em Portugal é costume acrescentar, no início, o Credo, um Pai Nosso e três Avé Marias. O Rosário completo, com os vinte mistérios, soma duzentas.
A Avé Maria está na Bíblia?
A primeira metade está quase palavra por palavra: é a saudação do anjo Gabriel (Lucas 1, 28) unida às palavras de Isabel (Lucas 1, 42), a que a Igreja acrescentou apenas o nome de Jesus. A segunda metade — «Santa Maria, Mãe de Deus…» — é a súplica que a Igreja foi compondo ao longo dos séculos e fixou no século XVI. Rezá-la é rezar o Evangelho e responder-lhe na mesma respiração.
Porque se repete a Avé Maria tantas vezes no terço?
Porque a repetição não é o fim, é o meio. O ritmo das Avé Marias acalma a cabeça e liberta o coração para contemplar o mistério que se está a meditar — São João Paulo II, retomando as palavras de Paulo VI, descreveu-a como a urdidura sobre a qual se desenrola a contemplação da vida de Cristo. Quem ama repete-se sem se cansar; ninguém acha estranho dizer duas vezes «gosto de ti».
Posso rezar a Avé Maria sozinha, fora do terço?
Claro que sim. A Avé Maria cabe numa respiração e reza-se em qualquer lugar: na fila, no hospital, na cama sem sono. Uma só Avé Maria, dita devagar e a sério, é oração inteira — o terço é uma forma de a rezar, não uma condição.
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